sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Abordagens teóricas em Contabilidade



Abordagens Teóricas

A investigação em Contabilidade, durante longos períodos, centrou-se no desenvolvimento de modelos óptimos de apoio à tomada de decisão com base em pressupostos essenciais, tais como: (i) a racionalidade dos decisores,   que utilizaram a informação contabilística de forma óptima atendendo a objectivos como a maximização do lucro ou da riqueza dos accionistas; (ii) o carácter axiomático desses objectivos organizacionais; e (iii) a unicidade desses objectivos, isto é, a não existência de objectivos diversos e/ou situações de conflito (Major & Ribeiro, 2009).
Durante a década de 70 alguns investigadores começaram a explorar as dimensões organizativas da contabilidade com recurso a teorias organizacionais. Pela quantidade de estudos e pela sua utilização ainda na actualidade, a teoria da contingência assumiu e continua assumir particular importância.  

Teoria da Contingência

A ideia basilar da teoria da contingência pode ser expressa da seguinte maneira: “a eficiência da estrutura ou procedimentos de uma organização depende das circunstâncias específicas desta organização” (Oliveira, Pereira, & Ribeiro, Teoria, Metodologia e Prática, 2009) e (Islam & Hu, 2012). Nesta linha de pensamento, e sob uma perspectiva mais objectiva, (Emmanuel, et al, 1990) citados por (Haldma & Lããts, 2002), afirmam que a abordagem da contingência em contabilidade baseasse na premissa de que não existe um sistema contabilístico universalmente apropriado que se aplique igualmente a todas as organizações em todas as circunstâncias.
Deste modo, a teoria da contingência, sugere que um sistema de informação contabilística deve ser projetado de forma flexível, de modo a considerar o meio ambiente e a estrutura organizacional  (Daoud & Triki, 2013). Os sistemas de informação contabilística também precisam ser adaptados às especificidades de cada organização. Em outras palavras, os sistemas de informações contabilística, devem ser concebidos dentro de uma estrutura[1] adaptativa, (Samuel, 2013).
Ainda de acordo com este autor, o primeiro trabalho sobre o ponto de vista de contingência de sistemas de informação de contabilidade na literatura é "Um Quadro de Contingência para a concepção deSistemas de Informação contabilística, " realizado pelos professores (Gordon & Miller, 1976). Este trabalho estabeleceu a estrutura básica paraa consideração dos sistemas de informações Contabilísticas numa perspectiva de contingência.
Segundo (Oliveira, Pereira, & Ribeiro, 2009), a literatura que relaciona a tecnologia organizacional com os sistemas de contabilidade tem sido das que mais desenvolvimento tem verificado na investigação da contingência. Os estudos que se apoiam nesta teoria tentam compreender como os sistemas de contabilidade são influenciados por diversos factores contingenciais (ambiente, tecnologia, estratégia e estrutura organizacional).
Para o presente trabalho, temos o interesse de perceber, sob a perspectiva partilhada pela teoria da contingência acima exposta, a flexibilidade do Sistema ERP em estudo (Decisor) para captar as especificidades organizacionais no processamento da informação contabilística com qualidade
A Teoria Institucional na Investigação em Contabilidade, despoleta-se em três correntes, a saber, a Nova Economia Institucional (NIE), a Velha Economia Institucional (OIE) e a Nova Sociologia Institucional (NIS) (Major & Ribeiro, 2009). Entretanto, para o presente trabalho manifestou-se apropriada a abordagem proposta pela NIS.
Diversos autores outorgam o desenvolvimento da NIS, à aplicação da teoria dos sistemas abertos ao estudo das organizações, resultando desta perspectiva um princípio básico desta teoria:  o de que as estruturas organizacionais são resultado de pressões exercidas pelo meio envolvente institucional em que operam (Major & Ribeiro, 2009). Alguns autores chegam mesmo a argumentar que nenhuma organização poderá sobreviver e ser bem sucedida se não acatar e evidenciar perante o meio organizacional em que está inserida, práticas, estruturas e sistemas que sejam aceites como legítimos.
A teoria institucional foi criticada, em tempos remotos, como estando na sua adolescência, contudo, presentemente, em resultados de novos desenvolvimentos teóricos, tem vindo a ser descrita como uma teoria relevante e extraordinariamente útil na procura de compreensão das práticas de contabilidade (Major & Ribeiro, 2009). Assim, nos socorreremos desta teoria para avaliar a legitimidade do Software em estudo no meio envolvente considerado.
   - Por Benjamim Dumba



[1] Framework, no texto original.

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